quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SONAREP - A Refinaria de Lourenço Marques - Matola


A Sociedade Nacional de Refinação de Petróleos - SONAREP - foi a primeira refinaria construída em Moçambique. 

A ninguém pode restar dúvidas acerca do interesse verdadeiramente nacional da iniciativa de construir uma refinaria em Moçambique. De facto assim entendeu o Governo da Nação e em boa hora o fez acolhendo com carinho a iniciativa e a proposta feita em 1958. 

Estudadas as bases e definidas as condições de concessão de alvará, foi o processo mandado submeter à apreciação do Conselho de Governo da Província de Moçambique, a qual deu o seu parecer favorável.Assim, em 21 de outubro de 1958, o Ministro do Ultramar, por despacho, estabelece as condições a que deveria obedecer a instalação da refinaria. 

O Empreendimento, que resultou do estreito contacto mantido com o mercado de petróleos da zona de África e de um estudo sistemático baseado no parecer autorizado de técnicos da especialidade, só poderia tornar-se uma realidade desde que se afastasse a idéia rígida dos números e a ânsia de multiplicar os lucros. 

Felizmente, tudo concorreu para que a obra se materializasse e assim em 28 de Maio de 1961, dentro do prazo previsto, é inaugurada oficialmente a primeira refinaria de Moçambique. 


Refinaria


Num periodo em que todos os países defendiam ciosamente as suas divisas, a instalação desta nova industria em Moçambique, trouxe, por um lado, a vantagem da diferença de preço entre o petroleo bruto e o petróleo já refinado,e, por outro, o benefício que se obteve com a exportação do produto para os mercados Africanos e consequente entrada de divisas. 

Desde o primeiro momento a província inteira acolheu com entusiasmo a iniciativa. A garantia que seriam tomadas medidas para a defesa do consumidor e que a nova industria nunca pesaria como um fardo na economia local à custa de preteccionismos deslocados consolidou no espírito de todos a obrigação moral de apoiar aqueles que pretendiam elevar o nível industrial ponde de parte a ideia do lucro, que , como é óbvio, ninguém podera esperar nun futuro próximo. 

Foram imobilizados nesta construção, segundo Manuel Bulhosa (1) presidente do Conselho de administração e seu accionista majoritário, 220 mil contos, aos quais a provincia participou apenas com 50mil, e ainda somente despendeu inicialmente 10 mil, sendo os restantes , integralizados em anos, conforme planejamento pré-aprovado.. 

Destes 220 mil, 70 mil foram empregues em trabalho e materiais obtidos em Moçambique,através da industria local, que foi eficiente e altamente dedicada. 

Houve portanto uma decidida transferencia de capital para Moçambique, quer através dos dispendios em moeda local quer através de apetrechamento importado e que ficou definitivamente incorporado no patrimônio económico de Moçambique. 

A capacidade de laboração, ao ser inaugurada a refinaria, era de 13 000 barris diários o que, para certos tipos de petróleo bruto, podia representar a possibilidade de produção efectiva correspondente a mais de 600 mil toneladas anuais 

A refinaria já foi projectada para ampliação necessária para elevar a produção da mesma para o total anual de 1 milhão de toneladas. 

O consumo interno de Mocambique à data, calculava-se em torno de 130 mil toneladas anuais e a navegação de longo curso que se abastecia nos portos de Moçambique reperesentava tonelagem sensivelmente igual ao consumo interno. 

A refinaria começou por abastecer o mercado inteno e aos poucos os paises vizinhos, assim como aos territórios Portugueses do Ultramar, pela sua administração e ainda sua posição geográfica favorável a tal, em condições económicas. 

Às Distribuidoras que já existiam em Moçambique, a exemplo da BP ,Shell, etc, se assegurou uma remuneração confortável e assim consolidada, ligou-se a Sonarep ao desenvolvimento económico de Moçambique. 

Desta refinaria, logo à sua inauguração, já dependiam 270 famílias. 


Festa de natal de 1960 - Distribuição de presentes
Para Moçambique, este obra representou de imediato benefícios, imediatos, reais e altamente importantes, com a redução de quase 40 % das divisas, que utilizaria na compra de combustíveis líquidos, haja vista a economia ( Na época o valor do petróleo bruto era de menos de US$12 por tonelada na importação, e o preço de mais de US$20 por tonelada de combustíveis liquidos.). 

Nesse mesmo ano, a refinaria passou a fabricar também produtos para exportação, gerando assim mais de US$ 1 milhão de divisas que entravam em Moçambique. 

A capacidade anual da refinaria logo ultrapasou desde cedo, o limite mínimo imposto pelo governo, chegando no primeiro ano a mais de quatrocentas mil toneladas acima do exigido. 

Logo foi acoplada mais mão de obra em Moçambique, pois para escoamento dos produtos ( a nivel de refinamento e escoamento) foram absorvidos pelo mercado de trabaho tantos trabalhadores no comércio, quanto os da própria industria que também eram aumentados à medida que a refirania foi aumentando sua produção. 


Este dado foi importante a nível de confiança, pois logo no início se havia levantado a hipótese, através de matérias que surgiam na midia, que funcionários portugueses seriam demitidos pelas companhias estrangeiras ao ser inaugurada a refinaria, talvez com o intuito de sufucar seu projecto ou mesmo teram condições para negociar os preços futuramente. A tudo isto a refinaria respondeu positivamente. 

Mesmo em 1973, na maior e primeira crise petrolífera Mundial, a refirina deixou de produzir ou de aumentar seus lucros, antes pelo contrário, foi o que movimentou a provincia, haja vista que a grande diferença entre importar produto liquido e petroleo bruto se fez sentir.Apesar do Severo racionamento de gasolina que se estendia a todos os paises, e em lourenço Marques ou qualquer ponto da provincia se registravam concentrações enormes de veículos nos postos de gasolina à espera de abastecer dentro das regras impostas pelo governo em aconselhamento do conselho da administração da Sonarep. .Eram factores externos que fizeram prontamente os técnicos Moçambiacnos tomarem suas medidas e assim remediiar o feito pela OPEP. 

Após a Independência, o novo Governo, Frelimo, resolveu transferir a posse da Refinaria da Matola, em Maputo, das mãos de Boullosa para as das massas populares, tornou-se urgente formar novos quadros devotados ao povo que pusessem a unidade estratégica a funcionar e bem. Enviaram mais uma dezena de jovens Moçambicanos para a Roménia tirar um curso de Engenharia de Refinação. 

Quando voltaram, a Refinaria não tinha aguentado a espera e tinha passado a monte de sucata sem préstimo nem retorno. Ainda hoje, Moçambique não tem refinação de petróleo e importa todos os derivados. 

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